Contabilidade amorosa de 2008
Não é pra somar tudo, as coisas se sobrepõem:
1 relacionamento que eu estava achando o melhor de todos os tempos o amor da minha vida a paixão que a-*
1 luto concluído, 3 anos depois
3 significativas acelerações no batimento cardíaco:
2 dos aceleradores viraram amigos
1 sumiu
1 casinho em São Paulo
1 sonho erótico em New Orleans
1 amor em Edmeston5 historinhas virtuais:
1 evoluiu à materialidade
3 permaneceram virtuais
1 em andamento
3 foras levados
4 distribuídos
Dos 3 levados: 1 traumático, 1 ridículo, 1 ok
Dos 4 dados: 2 reações patéticas, 2 ok
1 historinha que não engrenou porque francamente nenhum dos dois estava muito interessado
1 revival
2 peças de lingerie virgens
2 peças de lingerie estreadas
2 peças de lingerie que eu queria comprar mas não tenho pra quem usar
3 preciosas lições aprendidas sobre o meu próprio corpo
989248098 e-mails com múltiplas camadas de intenções
Muito menos sexo do que eu gostaria
Ainda faltam dois meses para terminar o ano e já estou fazendo uma retrospectiva - sinal inequívoco da minha desesperança em excluir a última linha desta contabilidade. Dizem que o que vale é a qualidade, não a quantidade. Eu não poderia concordar menos. Qualidade já tenho, muito obrigada: minhas relações sexuais costumam ser qualitativamente boas ou ótimas. Todo o problema é que têm sido poucas.
* O relacionamento acabou assim, exatamente como esta frase.Marcadores: recordar
Inspiração, transpiração e o além
Quando tem início uma discussão sobre o processo criativo de uma obra de arte qualquer, e qualquer que seja a modalidade artística em questão, já se sabe que mais cedo ou mais tarde a metáfora sudorípara-respiratória será evocada: quanto, afinal, houve de transpiração e quanto de inspiração na criação desta obra?
Nunca deixo de me espantar, não com as respostas em si, mas com o próprio fato de que os artistas geralmente se dignem a respondê-la, sem sequer questionar as próprias implicações da pergunta: com que então uma obra de arte se limita a tantos por cento de uma dádiva que caiu do céu (proveniente do Senhor, do Demônio ou do Inconsciente) e outros tantos de um esforço laborioso? Com que então a arte resulta apenas dos caminhos e descaminhos psicológicos de um ser humano?
Bem, é claro que toda obra de arte invariavelmente resulta dos caminhos e descaminhos psicológicos de um ou de vários seres humanos (e isso evitando aquela discussão chata de será que os gregos tinham complexo de Édipo? e controvérsias assim). Então, é claro que a obra de arte é produto da ação de alguém, é obra humana (e isso evitando aquela discussão muitíssimo mais chata ainda de será que os computadores fazem arte? e a Mulher-Fruta, por sua vez, deveria ser considerada artista? e controvérsias assadas).
Texto vai, texto vem e nunca consigo escapar do melhor exemplo de fenômeno paradoxal que conheço: a famosa fraldinha-do-bebê-segundo-Winnicott. Porque é evidente que a fraldinha, para o bebê, representa a sua mãe. Mas, se fosse apenas isso, a fraldinha não teria a menor graça.
A grande graça da fraldinha é que ela transcende uma mera representação da mãe, na ausência desta.
A grande graça da obra de arte é que ela transcende a psicologia do autor, na ausência deste.
Então eu sempre acho estranho, muito estranho mesmo, quando algum artista chuta que para determinada criação artística lhe foram necessários, vá lá, x% de inspiração abençoada e 100-x% de trabalho totalmente desprovido de glamour. Em primeiro lugar, pela própria contradição embutida no cálculo: se x% veio de uma fonte que lhe é alheia e desconhecida, que independende dos seus esforços e que você não controla, como é que você pode estimar o tamanho de x? Em segundo lugar e principalmente, por tudo o que
ultrapassa x e 100-x: que dizer daquilo, caro artista, que vai muito além de você e dos seus esforços individuais, na obra que não obstante você mesmo criou?
***
Mas não vim falar sobre arte, e sim sobre uma realização minha que, embora nada tenha de artística, é das coisas que mais me orgulho de haver criado - e tanto mais por consistir em uma criação conjunta.
Trata-se da única coisa a que, se me fizessem aquela pergunta-padrão dirigida aos artistas desprevenidos, eu responderia sem hesitar: 100%. Dos dois. 100% de inspiração e 100% de transpiração, no que pese a falta de sentido disso. Porque algumas coisas resultam tão abençoadas e bem-aventuradas em nossas vidas, que é preciso reconhecer: só muito 100% deve ter tornado isso possível. Sem que eu mesma me desse conta, eu devia estar muito inspirada quando conheci a Bel, e ela também. E, sabendo menos ainda, deve ter rolado uma transpiração danada de ambas as partes para chegarmos ao que somos hoje. Nada menos do que 100%, multiplicado por dois, é suficiente para dar conta desta relação que me deixa um pouco - e às vezes um muito - mais feliz, todos os dias, sempre.
Mas mesmo 100%, ainda que multiplicado por dois, vale muito pouco para as nossas parcas tentativas de descrever a realidade. Afinal, os números, se mal-e-mal me lembro daquela aula da oitava série, podem ser inteiros, racionais, reais ou complexos. E diz-me agora a Wikipedia que há também os
números hipercomplexos, vejam se é possível! (Claro que é - daqui a um tempo inventam os números ip-ip-urra-complexos, alguém quer apostar?) Existem números - a maioria, por sinal - que vão muito além do que nós, que só chegamos até a oitava série, somos capazes de imaginar.
E existem amizades que vão muito além do que a transpiração e a inspiração podem fazer. Muito além de uma obra de arte.
Esta vai além, por exemplo, na medida em que a mãe dela é uma pessoa tão-mas-tão querida e fantástica, que veio aqui me visitar.
Confesso que foi divertido observar as reações das pessoas ao ouvir que minha best friend's mother veio para New Orleans passar um fim de semana comigo: "best friend's mother", jura? Te visitar? Como assim?
Até aqui, minha resposta vinha sendo: "pois é - assim".
Agora, eu acrescentaria também: "sabe o que é? Foi muita inspiração, é isso. E muita transpiração também. E, principalmente, muito de alguma outra coisa, que nunca poderei inteiramente definir ou explicar".
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Hoje é 15 de setembro
Ainda dá tempo de dizer que hoje é uma das datas mais tristes da história da música, e que felizmente foi transformada também numa das mais lindas.
Em 15 de setembro de 1980 morria Bill Evans, minha maior referência na resolução de um problema que ele fazia parecer mais simples do que efetivamente é: como distribuir um acorde no piano?
No ano seguinte, o mundo conhecia September 15th, a incomparável prece-tributo do duo.


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Enfim cheia

Aquilo que em São Paulo teria sido uma quarta-feira comum transformou-se em New Orleans na Grande Comemoração pela Fuga do Ike, que a esta altura é esperado em algum lugar longe daqui. Ok, muito chato para o lugar longe daqui - mas é justo que os lugares todos aqui do Sul dividam a chatice (na melhor das hipóteses) que é um furacão na cabeça, alguém discorda?
Então Isabel e eu fomos ao Whole Foods, mal podendo conter nossa euforia. Acho que a foto acima é razoavelmente ilustrativa de que não sofreremos de falta de suco, leite e milho pelas próximas horas.
Chegando em casa, abrimos um vinho e - pasmem - cozinhei macarrão alho e óleo para a gente. Agora pasmem de novo: não é que ficou bom? Raspamos a frigideira com gosto.
Foi um pequeno passo para mim e um passo menor ainda para a humanidade, mas não resisto a registrá-lo neste blog, que de resto é pródigo em notícias essenciais para os destinos da nação e do planeta: foi a primeira vez que cozinhei para alguém.
Já cozinhei junto inúmeras vezes - mas eu, fazendo tudo, sozinha? Foi hoje.
E já que acabo de fazer pública esta constatação, revelo também um medo muito grande que eu tinha um pouco antes de vir para cá - tão grande e bobo que não tive coragem de contar para ninguém. Nem, principalmente, para mim mesma.
Em meu último mês em São Paulo, comecei a temer que nunca mais eu ia fazer macarrão alho e óleo e tomar vinho em casa, num dia de semana à noite.
Comecei a achar que, essa vida, nunca mais.
Comecei a achar que tanta coisa nunca mais.
Eu tinha certeza de que não era possível - macarrão alho e óleo e New Orleans. Dois universos que não se encontram, peças de um quebra-cabeça que não se encaixam, temperos que não combinam.
Então será que alguém vai conseguir entender o que é isso? Que, um mês depois, conheci uma pessoa fantástica que espero que continue na minha vida para sempre; que hoje moro com ela, e numa casa que não tinha nada, e hoje está do jeitinho que eu quero (menos um sofá); que já fugi de um furacão e já voltei; que falo espanhol nas aulas com medo de ser feliz, mas com a segurança de quem não quer ver a vida passar sem dizer nada a respeito - ainda que seja com muitos erros gramaticais.
E, principalmente, que fiz compras no supermercado.
E fiz macarrão alho e óleo e tomei vinho.
¡
Salud!
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O melhor filme que nunca vi
Tinha uns homens fortes de rabo de cavalo e umas mulheres de saia, todos eles vestidos de gente-de-outra-época. Tinha uma cozinha, e uma mesa ao centro, mas dado que ninguém disse que algum book estava na table, fiquei completamente ao Jacob-dará, sem entender palavra alguma daquele inglês estranhíssimo, sabe-se lá de que povo e de que século. Tinha também arcos e flechas e talvez um princípio de guerra. Tinha uma mocinha que claramente queria dar para o índio gostosão, mas devia lealdade ao marido branco e aquela pataquada toda.
Principalmente, tinha um Chardonnay californiano de doze dólares na minha taça, e homus com pimenta no meu pão sírio.
E o melhor de tudo: o
melhor amigo ao meu lado*.
***
Não sei situar esta noite no tempo: se foi antes ou depois da Brasa, antes ou depois da festa no
Idelber, antes ou depois do e-mail que delineava uma vaquinha marchando confiante em direção ao brejo.
Sei situar esta noite no espaço: ela se insere na esquina do meu cérebro reservada às pessoas que fazem bem, olhando para quem.
Porque primeiro Alex me olhou: começando dos pés, como é de praxe, até chegar à minha cara toda amarrotada após a leitura do dito e-mail da vaquinha.
Depois disso ele não precisou fazer muita coisa, porque ele é das poucas pessoas que entendem que o melhor que se pode fazer por uma pessoa, em situações-vaca, é escutá-la, senti-la, ouvi-la. Olhar para alguém já é fazer o bem.
E não resisto ao clichê de dizer que nunca me esquecerei do seu olhar de desespero ao ver o desespero se apoderando de mim. Porque ele sofre muito, ao ver alguém sofrer.
Mas quando começamos enfim a assistir ao filme, a vaquinha já ia longe, pastando em outras paragens.
Alguns meses depois, tento entender a combinação de fatores disparadora da melhor noite de sono da viagem inteira:
O chardonnay estalando na língua. Uma língua estranha e vagamente familiar bem próxima dos ouvidos. Um edredom desses que só americano sabe fazer.
Foi gostoso ter preservado a consciência de que eu estava caindo no sono. Foi gostoso, pouco a pouco, ouvir as vozes da tela transformando-se em outras, minhas. Foi surpreendente e encorajador perceber que num lugar estranho, repleto de pessoas estranhas, eu ainda assim fui capaz de encontrar acolhimento, e me entregar tão completamente a algo tão desprotegido como um sono largado.
Ele fez algum comentário insinuando que eu não estava vendo o filme, ao que retruquei qualquer coisa entre o engraçado (porque ele riu) e o indignado (porque ele deixou o filme ali até eu adormecer).
***
Outro dia um amigo perguntou: "ei, você pegou o Alex Castro?".
Lembrei-me imediatamente da política de boatos do LLL - confirmar tudo, sempre -, passando então a discorrer sobre nossas noites de sexo ardente e depravado; mas, talvez pelo riso que não pude conter, meu amigo parece não ter acreditado muito na confirmação pela qual sua curiosidade ansiava.
Agora, refletindo melhor, concluo que o curioso amigo de fato se enganou.
Eu não peguei o Alex Castro. Ele é que me pegou. Com todo o cuidado, e me pôs para dormir.
* Funciona assim: eu tenho alguns melhores amigos, algumas melhores amigas, e a Bel.Marcadores: recordar
Sueño de la vuelta
Meu primeiro contato com a língua espanhola inequivocamente foram as palavras RELLENO CALIENTE, estampadas nas embalagens das tortinhas de maçã e banana do McDonald's - como, aliás, desconfio que seja o caso para toda criança brasileira não-pobre e não-gaúcha. Descontada, porém, esta experiência-padrão, é seguro dizer que meu segundo ou terceiro* contato com a língua espanhola se deu através da letra de
Dream of the Return. Nunca me preocupei em ir
más allá de la embromación, mas agora que o espanhol definitivamente chegou na minha vida para ficar, debrucei-me sobre estas palavras cujos fonemas povoaram a minha infância.
Antes das palavras, porém, a música. Não, nada de análises ou elucubrações: apenas lembranças sentimentais confrontadas com minha experiência atual. Este foi um dos primeiros solos do Pat que decorei, eu que em 1990 iniciava minha extenuante e inútil carreira de memorizadora de improvisos (se alguém tiver idéia de como posso ganhar dinheiro com isso, favor entrar em contato). Na verdade, são dois ou até três, a depender do gosto classificatório do ouvinte: primeiro o solo de Ibanez, depois 12 compassos de Lyle, desembocando em outros tantos de synth. Mas os solos, como sempre em se tratando de PMG, são apenas um dos incontáveis elementos que me interessam - além deles, a beleza da composição, a forma, a harmonia, os timbres do Lyle, a bateria inconfundível, o baixo econômico e preciso, a riqueza dinâmica, a simplicidade conquistada à custa de muita complexidade. Dream of the Return, apesar de composição do Pat, é inteira Pedro e Lyle para mim. Começou aí, aliás, meu interminável processo de luto por uma das experiências que mais me dói nunca ter vivido: porque posso até me conformar por nunca ter nadado no Tietê e nunca ter visto Pelé jogar - mas nunca, jamais me conformarei por nunca ter visto o PMG com Pedro Aznar. E o Lyle, bem, seu expanded piano é como a ilha de LOST. A guitarra pode ser Jack, Ben, Locke - mas é na ilha que todos eles agem; é a partir dos teclados e do piano que tudo acontece.
Sobre as palavras. Dei a elas, como de costume antes que eu efetivamente leia a letra, uma interpretação singular: sempre entendi que "amar é um poema" e "meu coração é um livro". Vejam se eu não estava justificada:
Dream Of The Return
(Pat Metheny / Pedro Aznar)
Al mar eché un poema
Que llevó con él mis preguntas y mi voz
Como un lento barco se perdió en la espuma
Le pedí que no diera la vuelta
Sin haber visto el altamar
Y en sueños hablar conmigo
De lo que vio
Aún si no volviera
Yo sabría si llegó**
Viajar la vida entera
Por la calma azul o en tormentas zozobrar
Poco importa el modo si algún puerto espera
Aguardé tanto tiempo el mensaje
Que olvidé volver al mar
Y así yo perdí aquel poema
Grité a los cielos todo mi rencor
Lo hallé por fin, pero escrito en la arena
Como una oración
El mar golpeó en mis venas
Y libró mi corazón
* Ok: o segundo deve ter sido tus besos nunca más.
** Um dos erros mais toscos de todo o Songbook: "sabrina" em vez de "sabría" (afora outros vários erros na mesma letra). Mas não deixa de ser poética a imagem de uma revistinha Sabrina lançada ao mar.Marcadores: recordar
Eu já
Segue a lista dos mais bizarros e selvagens eventos da minha atribuladíssima vida sexual. Afinal, eu não podia ser
passada pra trás tão fácil:
EU JÁ
... acreditei que uma relação sexual consistia única e exclusivamente na fricção do pênis contra as mucosas vaginais (sim, nesses termos). Até uns dezesseis anos de idade aproximadamente.
... perdi o tesão num cara porque ele não tocava bem o bastante. Não o meu corpo, mas determinado instrumento musical.
... abri mão de sexo pra ficar ouvindo música. Isso só umas 481516 vezes.
... implorei para homens diversos
não pronunciarem a palavra cueca dentro da minha casa.
... seduzi um homem vestindo nada mais e nada menos que uma legítima
cocô-carça e um legítimo cocô-blusão.
...
fui trocada por um mapa astral.
... roubei no beijo, abraço & aperto de mão para não beijar um menino gordinho na terceira série.
... intuí que um namoro iria pro brejo quando o ex ouviu
Coyote e achou chato.
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Sobre o cachorro
Se tem uma coisa que eu adoraria aprender a fazer é ressuscitar risadas. Porque algumas das coisas mais engraçadas da vida são também as mais efêmeras. Não que desmanchem no ar, mas só fazem sentido para quem estava presente no momento específico em que vieram à tona. É o caso de "a vida é como um rio". É também o caso do cachorro, que vou contar aqui mesmo sabendo do risco de que, ao final da história, tenhamos um cachorro mumificado, em vez de um que late, anda e bebe água pra caralho.
O causo foi que, durante as gravações do feriado, os cachorros do Marcelo às vezes andavam pelo piso de madeira. E então era preciso, como já dizia Ivan Lins, começar de novo.
Mas o causo, na verdade, tem quase nada a ver com isso e absolutamente tudo a ver com
aquelas expressões que músico adora. Uma delas, que não está neste texto antigo, é "Fulano toca pra caralho".
E de repente Gabriel pára de cantar e me manda essa:
"Pô Marcelo, o cachorro tá andando pra caralho aí!"
A sobreposição destas duas imagens - um músico tocando pra caralho e um cachorro passeando tranqüilamente pela sala - me fez chorar quase que imediatamente. Eu ri, ri, ri - e nisso fui acompanhada pelo mais novo integrante da Liga - e ri, ri, ri até perder completamente a noção se o referido integrante estava rindo do cachorro ou da minha cara.
Porque vejam bem: não era um músico tocando pra caralho. Era um
cachorro. Com o detalhe de que ele não estava
tocando pra caralho. Ele estava
andando.
Como seria um músico que, em vez de tocar,
andasse pra caralho?
Mas paro por aqui, que este post está parecendo papo de maconheiro. A triste verdade é que nunca conseguirei transmitir para ninguém a graça inerente a um cachorro andando pra caralho.
Uma coisa, porém, ninguém me tira. Enquanto eu puder lembrar que "era uma vez um cachorro que andava pra caralho", saberei que sou uma pessoa feliz.
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O problema do sexo, parte 2
Neste texto, esmiucei as causas da aridez afetiva em que se converte a vida sexual de uma mulher solteira prestes a deixar o Brasil por cinco anos - principalmente se o comparamos com o que vive um homem na mesma situação. Na época, eu havia me baseado somente no exemplo do
Alex, mas hoje posso ir além: não apenas ele como todos os homens que deixam o Brasil por tempo indeterminado têm acesso temporário a todo um exército de virgens sedentas a que nem o mais suicida dos talibãs poderia aspirar.
Diferentemente do que fiz naquele texto, porém, agora não estou reclamando dessa diferença. Até porque um exército de homens virgens talvez seja excitante para um adolescente gay, mas definitivamente não o é para mim.
Hoje vou reclamar de outra coisa. Aconteceu o seguinte: na aridez em que me encontro,
me aparecem dois homens casados (não, ainda não estou reclamando). Que logo despachei, e beleza. Em seguida, qual o conselho que mais ouço? (Começa aqui a reclamação:)
"Poxa, Camila, mas e daí que o cara é casado? Afinal, em dois meses
você vai embora mesmo!"
E eu fico me perguntando o que que uma coisa tem a ver com a outra.
Vai ver se alguém disse pro Alex ou pra qualquer homem na mesma situação que ele: "poxa, meu filho, dá uma chance pra essa baranga aí, afinal
você vai embora mesmo". Não: ao homem cabe esperar sentadinho pelo exército das virgens. À mulher, contentar-se com o primeiro homem casado que aparecer.
Claro está que o homem casado pode não ser nada barango. Mas, que me importa - um homem casado me brocha tanto quanto uma mulher baranga a um homem. Também me são brochantes homens que votam no Serra, que sentam no lugar reservado para idosos no metrô e que gostam de pagode. Alguém pode argumentar que votar no Serra e se aproveitar de velhinhos não é uma questão de excitação sexual, e sim de caráter. Pode até ser. Mas gostar de pagode, não. Um homem pode muito bem gostar de pagode e ser um corretíssimo cidadão, zeloso de seus direitos e cumpridor de seus deveres. E daí? Continuo achando o exemplar cidadão deveras brochante. Assim como um homem casado, que pode ser excelente pai de família e tratar muito bem de sua mulher, filhos e amantes. E eu ainda achando tudo muito brochante.
Não se trata, portanto, de uma questão moral, e sim de
desejo.
Eu não sei uma série de coisas. Não sei fazer bola de chiclete, não sei assoviar, não sei cantar (fato que agora é de domínio público) e nunca consegui aprender de que lado da Paulista fica o MASP. Mas tudo bem. Porque pelo menos uma coisa importante eu já aprendi: a não me contentar com pouco.
A não me contentar com nem um volt a menos do que pede o meu desejo.
Meu desejo não tem pressa alguma de ser satisfeito.
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O dia em que impedi um vexame
É vasto o repertório de piadas musicais envolvendo a figura da mulher do músico. Mulher de músico que também é cantora, então, nem se fale - tipo a banda do Miles Davis no inferno, maravilhosa até que se descubra que tem por vocalista sua namorada (ou amante, dependendo da versão).
É igualmente notório o fato de que, na produção de um filme, quem cuida da fotografia é o fotógrafo, do figurino é o figurinista, e assim por diante - mas, quando o assunto é trilha sonora, todo mundo está autorizado a dar opinião, do contra-regra à mulher do trilheiro. Sendo que esta última nunca gosta de nada que não seja "música pra chorar", isto é, qualquer coisa com violinos bem agudinhos ao fundo.
As feministas que me perdoem, mas esse anedotário todo é de uma sabedoria imensa. Posso falar com autoridade sobre o assunto, porque eu mesma já fui mulher de músico - e brinquei adoidado de produtora musical. Eu dava palpite em tudo, na proporção inversa ao meu embasamento para tal: do repertório aos arranjos, dos músicos aos timbres escolhidos, da mixagem à escolha da melhor versão de cada música, eu metia o nariz e os ouvidos no que quer que saísse das caixas.
Mas nada disso teve relevância alguma se comparado à única contribuição realmente significativa que, na condição de mulher de músico, pude oferecer à música popular brasileira.
Era uma vez os primeiros ensaios do duo de um certo pianista com uma certa cantora. No repertório, a primeira versão de Gabriela na íntegra depois da original de
Passarim. Ouvíamos, o pianista e eu, o resultado de um dos ensaios - prestando semi-atenção, pois jantávamos ou sei lá o quê. Mesmo semi-ouvindo, porém, já me parecia óbvio que se tratava de uma releitura como poucas vezes Jobim mereceu - embora eu achasse, opinião que até hoje mantenho, que o baião do final podia ser mais lento. Mas enfim. Tudo mais do que bom, tudo mais do que bem.
E eis que, aos quarenta e oito do segundo tempo, quando já está claro que o juiz não vai dar nem um segundo de prorrogação, a cantora entoa lindamente as duas últimas palavras da canção:
"QUEBRA QUEEEEEEBRAAAAAAAAAA-AAAAAAAAAAAAAAAAAAA..."
Segue a reconstituição fictícia de um diálogo que não tenho a menor idéia de como transcorreu:
Eu: - O quê??!?!???
Pianista: - O que o quê?!
Eu: - Como assim, o que o quê?? Você não ouviu?!
Pianista: - O que o que o quê??!?
Eu: - Agora! No final! Quebra-quebra!
Pianista: - Jura?!?
Eu: - Por Jacob!
(Isso para que não haja dúvidas sobre a ficcionalidade do diálogo, pois naquela época LOST ainda não havia se firmado como a minha religião.)Correria, pause, botãozinho que volta o cd, play, QUEBRA-QUEBRA!, gargalhadas.
Eu: A Gabriela tá quebrando tudo!
Pianista: Não, ela pegou um ônibus e daí rolou o maior quebra-quebra!
Incluam aqui mais duas ou três piadas prontas (tipo quebra-quebra com orelhão etc.).
Pianista: Afinal, como é a letra mesmo?
***
E foi assim, amigos, que impedi o vexame de um dos mais lindos discos já gravados no Brasil ter retratado Gabriela como uma louca arruaceira.
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Saudade de NOLA (segunda parte das fotos musicais)

Em alfa na Second Line, a festa popular mais bonita que já presenciei. Existe uma pequena coleção de eventos no mundo que me enlevam por uma qualidade anterior à sua essência (sua beleza, sofisticação ou magistralidade); tais eventos comovem-me por sua mera
existência. A Second Line é o exemplo mais paradigmático disso. Pensar que existe uma cidade no mundo onde as pessoas saem às ruas para ouvir uma banda de metais tocar swing - pensar que essa cidade
existe - é mais emocionante do que qualquer coisa que a dita banda possa tocar. Mas, pra ajudar, a banda ainda toca - a tuba comanda os movimentos do seu corpo, queira você ou não; solistas vários capturam os seus ouvidos e dançarinos impossíveis capturam os seus olhos. Finalmente entendi, bobinha que sou, de onde vêm os arranjos de metais dos discos do Jaco.

Outra coisa legal das Second Lines é que toda semana tem uma acontecendo - não são necessárias datas comemorativas para que os músicos se reúnam para tocar e as pessoas para ouvi-los; e, glória suprema, a Globo ainda não as descobriu. Podem olhar à vontade: não se vê nem sinal do Fernando Vanucci.

Aproveitando a acústica do viaduto.

A súdita mais feliz.

Fico aqui falando da cidade mas, no fundo, saudade mesmo eu tenho de dois gentlemen, um dos quais encontra-se todo sorridente logo acima.
Conheci o Paulo assim - e olha que a parte embaraçosa da história eu não tinha contado pra ninguém até agora! -: como eu estava com um carro alugado, acharam por bem me pedir - naquela maluca e deliciosa mania do povo do departamento de misturar português, inglês e espanhol - para que eu fosse pegar um
speaker e trazê-lo para a universidade.
"Que legal, é claro que eu vou - só me fala direito o que é, e onde é."
(Reparem bem - eu perguntei o
que era. Felizmente ninguém pareceu notar.)
"É um tal de Pedro... Pedro Araújo, conhece?"
Meu pensamento imediato foi:
"Que pena, não é Dynaudio!"
Ou seja: tamanha é a musicalidade de New Orleans, que quando me pediram para buscar o speaker eu achei que estava para transportar
caixas de som - e logo as melhores do mundo!
Mas o speaker, no fim, não era nem Dynaudio nem Pedro, e sim Paulo César de Araújo (blog a caminho) - que para mim, então, era apenas o personagem principal e involuntário de
uma das maiores pataquadas da história do judiciário brasileiro.
Mal sabia eu que passaríamos -
Alex, ele e eu - dois lindíssimos dias e noites juntos, cuja lembrança agora me toma de supetão.
Debatemos sobre os diferentes papéis de Tom Jobim e João Gilberto na criação da bossa nova e na divulgação da música brasileira no exterior; a qualidade (ou falta de) do disco Jazz Samba; as melhores e piores letras em inglês do repertório Jobim; a diferença entre bossa nova e muzak; as inovações rítmicas que se diluem e perdem numa bossa nova pasteurizada; o paradeiro de Newton Mendonça. Realizamos um dos sonhos da vida do Paulo ao irmos a um cinema de 1920; realizamos um dos meus ao ir ao Snug Harbor ouvir o quinteto do Delfeayo Marsalis. Andamos muito pelo centro, pelo French Quarter, pelas margens do rio e até pela Bourbon Street; conhecemos a loja da Hustler e compramos balangandãs para a filhinha do Paulo (não na Hustler, calma). Comemos cookies e rebolamos para achar pratos vegetarianos para ele; assistimos a diversas palestras sobre música brasileira; Alex e eu autorizamos o Paulo a, caso fôssemos atropelados pelo trem, relatar o ocorrido; Paulo tentou me convencer de que Sua Estupidez é uma obra-prima (é, Paulo, é bonitinha, isso eu concedo); eu esqueci de tentar convencê-lo de que o melhor baterista de bossa nova do mundo é
mexicano. Tivemos diálogos impagáveis, um dos quais já adianto agora:
Paulo cantarola: - "Eu tenho tanto / pra lhe falar / mas com palavras / não sei dizer"...
Eu: Ah, eu não acredito que, depois de tudo, você ainda fica cantando isso!
Paulo: É engraçado, as pessoas me perguntam se não tenho ressentimento do Roberto... Mas sempre soube separar muito bem o artista da obra. A obra supera em muito o artista.
Eu: Não! Não é isso. Eu não acredito como você consegue
gostar dessa música.
(Depois de um dia em que falamos à beça sobre bossa nova etc.)Desnecessário dizer que o Paulo é uma pessoa que eu adoraria ter sempre bem perto de mim.

Grace & Will - com a diferença de que Alex não é gay e eu não sou chata. Esta foto e a anterior têm também o valor histórico de reunir 75% do eleitorado do Cristóvão Buarque nas últimas eleições presidenciais.
Saudade desses rapazes; saudade daqueles dois dias.
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Festinhas e festança
Breve pausa nas fotos de NY e NOLA para registrar momentos felizes de uma festança e duas festinhas:

Um dos sentimentos mais gostosos de se experimentar é a felicidade por alguém que se ama. Poucas vezes vivi esse sentimento com tanta intensidade quanto no casamento da Lili (Sydney).

Cidade dos Doces: um jardim com terra fértil e uma plantação de lírios. Mais adiante, em destaque, a praça da matriz. À direita, confabulam senhoras de vestidos prateados e rendados. Ao fundo, uma manifestação popular: pessoas salgadas reclamam sua inclusão na Cidade dos Doces. Antes que suas reinvindicações pudessem ser atendidas, porém, a Cidade foi devastada. Encontro-me entre os principais responsáveis pela tragédia.

Este blog registra um momento histórico: Lu e seu primeiro salame em nove anos.

Minhas amigas e colegas de trabalho: ao meu lado, Ju, Nath, Marina, Dani e Aline. Não estão todas aí, mas esta foto já foi suficiente para me angustiar um bocado. Ela representa simplesmente o que de mais importante irei perder, com a partida para New Orleans. Família, amigos e mesmo a Psicanálise - tudo isso continuará bem próximo a mim, apesar da distância. Mas deste grupo de trabalho, estou de fato me despedindo, bem como de pacientes antigos e novos encaminhamentos. Ainda não dá para escrever sobre nada disso. Por ora, apenas a foto.

Vocês reconhecem o vestido aí da mala?

Eu e Nath, morenas sestrosas, na foto errada que deu certo.
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Fotos musicais NOLA, parte 1

Vista do segundo andar do COSEAS (será que um dia eu aprendo o nome do prédio e deixo de chamá-lo de COSEAS?). No meio da tarde, uma banda de blues no pátio tão aleatória quanto ótima. Uma das coisas que mais me encantaram em New Orleans é que a música não precisa de motivo para acontecer.

Na abertura da BRASA, Chris Dunn, professor e gato. Toda instituição de ensino tem o seu - bem como a mocinha semi-psicótica que tem certeza de que o professor e gato está a fim dela (e só não descobriu isso ainda). Não raro a mocinha semi-psicótica incita-me a ser sua conselheira amorosa - é a personalidade não-psicótica da mocinha querendo ser chamada à realidade via um "amiga, vai procurar a sua turma". But I digress. Importa assinalar aqui que acho que vou me divertir muito no curso de música brasileira oferecido por ele - que, aliás, fala português melhor do que eu e você - e pelo Idelber. E também que ele organizou um congresso dos mais bacanas. E que eu fiquei feliz da vida em ter podido ajudar um micro-pouquinho na organização do evento.

É difícil pensar em lugar pior para ouvir música do que congresso: o nível costuma ser de Scala FM pra baixo. Grandes clássicos do rock e da MPB reinterpretados por ursinhos pimpões da Disney - é mais ou menos essa a imagem que música-de-congresso (prima-irmã da música-de-elevador e tia-avó da música-de-dentista) costuma me suscitar.
Pois a BRASA revolucionou meus conceitos sobre música-de-congresso ao contratar a
Vavavoom para tocar durante o coquetel e o almoço do dia seguinte. É um som que, hmm, a única referência que consigo pensar para dar é o
Django. "Gypsy jazz swing", diz o site deles, e me parece acertadíssimo. É isso mesmo: um jazz bem folk lá dos primórdios trazido para a nossa realidade, para um repertório em que convivem Duke Ellington e Luiz Bonfá (e mais uma porção de outras músicas que nunca ouvi mais gordas e que agora é imperativo conhecer).
O único momento em que ouvi música ruim em New Orleans foi quando chegou a vez do inevitável grupo de samba brasileiro. O grande problema do grupo de samba brasileiro não é nem o Brasil, nem o samba, nem mesmo o tchan que eles insistiam que deveria estar bem seguro e amarrado: o grande problema do grupo de samba brasileiro é o engenheiro de som brasileiro. Sabe aquelas refeições para quinhentas pessoas em que o arroz invariavelmente acaba pegando o gosto da carne, que pega o gosto do alface, que pega o gosto do tomate, que por sua vez pega o gosto do arroz? Pois o engenheiro de som brasileiro tem o dom de fazer o cavaquinho pegar o gosto do pandeiro, que pega o gosto do violão, que pega o gosto do surdo que pega em cheio no seu peito, te impelindo com toda a força para bem longe do tchan.

Kermit Ruffins no Vaughn's. Foi legal, foi bacana - principalmente pela ótima companhia de Idelber e sua turma. Mas só vou voltar se for para levar alguém. Sozinha, não tem por quê. Eu gosto de ouvir música, e aquele lugar é uma balada. Uma balada com o ótimo atrativo de ter boa música - mas, além de não ser uma música que me revire o cérebro (toca-se, basicamente, blues, e senti uma falta danada de um baixo acústico ali), ainda assim é uma balada, em que as pessoas vão para pegar e ser pegadas, beber e fumar sem se importar com a polícia. Em suma, tudo muito longe de me interessar. Com exceção da música, que estava legal, sim.
Agora, música mesmo fui ouvir no último dia, em que fomos - Alex, Paulo e eu; do Paulo falo já já - ver o quinteto do Delfeayo Marsalis. Para quem não sabe, os Marsalis são tipo a família Caymmi dos estado-unidenses: cada um ali toca alguma coisa e todos são mais ou menos excelentes no que fazem. Com a diferença de que os Caymmi têm três gênios e os Marsalis um só: o saxofonista Branford, que todos devem conhecer dos discos do Sting. Aliás, nunca consegui me decidir pelo solo de saxofone improvisado mais bonito da história da música popular. Mas cheguei a um top 3, em ordem não-especificada:
Branford Marsalis em Englishman in New York, do Sting
Nivaldo Ornelas em Beijo Partido, do Milton Nascimento (música do Toninho Horta)
Michael Brecker em Don't Let Me Be Lonely Tonight, do James Taylor
Voltando. O Branford, além de gênio, é meio do contra - porque o cara politicamente mais importante de sua família é seu irmão mais novo Wynton, trompetista tão competente quanto chato. Foi ele o grande difusor daquelas idéias ultra-manjadas de que o jazz morreu na década de 60 e é preciso resgatar os valores do passado e zzz... (Dêem uma olhada - melhor ainda, cliquem - na listinha aí do lado para vocês verem o quanto essas idéias me comovem: rigorosamente nada.) Moral da história: enquanto Wynton faz discursos apocalípticos, toca o Lincoln Center e se torna o principal porta-voz do jazz no mundo, Branford
grava com Sting,
expande as fronteiras do jazz e
toca cada vez melhor. (O Wynton até toca bem, mas faz
cada disco chaaaaaaaato...)
Mas, enfim, o show que vi não foi nem de um nem do outro, e sim do irmão menos famoso Delfeayo, trombonista. E, Jesus, que timbre. E que seção rítmica. Mais um baixista que caiu da grande árvore dos baixistas, um baterista que respondia fração-de-segundo a fração-de-segundo a tudo o que vinha de todos os lados e um pianista que sabiamente tocava com as duas mãos (se tem coisa que me irrita é pianista de jazz cuja mão esquerda fica mortinha nos apoios - geralmente intervalos de quinta - enquanto a direita corre para lá e para cá toda serelepe). O som? Mais convencional, impossível: exposição do tema (eventualmente precedida de introdução), dois ou três chorus pra um, dois ou três chorus pra outro, re-exposição do tema e estamos conversados. Formalmente, tudo muito previsível - mas não tenho nada contra essa previsibilidade do jazz. Tenho alguns amigos que não agüentam mais, e aliás
o Eberhard Weber também não. Eu gosto e acho esse universo bem rico, a despeito das limitações formais. Filosofadas à parte, vão lá ouvir
este show que achei no youtube. Obviamente, o som parece saído diretamente da piscina e rolam umas edições criminosas - ainda assim, vale pela maravilha que é esta formação.
Moral desta outra história: hei de bater ponto no
Snug Harbor toda semana.

Na parede do Vaughn's, diversas representações da Flor-de-lis (valei-me, Deus...), símbolo da cidade. Música que a Kate McGarry cantou em português e inglês lá no 55. Vontade de escrever que o ciclo se fecha.
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Fotos NOLA: segunda parte

Esse aí é o COSEAS de Tulane: aquele lugar com bandejão e livros à venda. A livraria possui um atrativo fantástico: o segundo andar é dividido por cursos. Isso, cursos: você procura o curso em que está matriculado e tem lá a maior parte dos livros da bibliografia recomendada. Evoco mestre Itamar: pourquoi je n'ai pas pensé a ça avant? Deve ser porque eu estava muito ocupada tirando xerox nesses quase dez anos de faculdades e pós-faculdades. Não que eu também não comprasse (mais) livros (do que conseguia ler) e não que eles não tenham um xerox (num outro bairro, mas têm) - o interessante é reparar na oposição simétrica que aí vigora. Enquanto em meus instituto e faculdade o xerox é que saía quentinho das máquinas depois das aulas - e, se você quisesse livros, que se virasse com o livreiro por conta própria - em Tulane é
exatamente o contrário. A tia do xerox é uma figura que não existe institucionalmente.
No bandejão, tem um árabe legal, um mexicano honesto e uma padaria com uns cookies que me exigirão um investimento de pelo menos quinze minutos diários só para eles - que, aliás, já fizeram o grande favor de me tirar todo e qualquer gosto por chocookie. E pensar que houve época em que eu comia um
pacote por dia. E era quase dez quilos mais magra. Eu era infeliz e não sabia.

Não resisti a publicar outra foto de predinho.

Pensando bem, que Hogwarts o quê... O Newcomb Hall é muito mais charmoso. E tem o gramado - foi fácil me visualizar deitada ali, munida de uma canga, um livro, um iPod e um cookie.

Dois metros pra trás, o portão, aberto 24h. Fiz o mestrado no Brasil sobre um autor estado-unidense e vou fazer o doutorado nos Estados Unidos sobre um autor brasileiro (na verdade, um-uns-uma-umas, autor-autores-autora etc., you get the picture); estudei numa universidade pública que fecha os portões todos os dias e vou estudar numa universidade particular que traz os portões sempre abertos. Coisas que terei dificuldade de explicar aos marcianos quando eles vierem me fazer uma visitinha.

Finalmente, ele!!! O Idelber é massa, o Idelber é o cara, o Idelber tem
o blog - mas, por favor, não deixem de reparar no meu casaquinho novo de cashmere.
(Mais sobre ele mais tarde.)
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Fotos NOLA: primeira parte

Sidney (nem
esta nem
aquela, e sim
este genial e pouco ouvido cara) + eu na foto inaugural da série de New Orleans. Se eu fosse ditadora do mundo, todos os aeroportos teriam nome de músico, trariam exposições fotográficas como essa e, imposição ditatorial número 1, estariam proibidos de tocar versões pauterizadas de Jobim em suas dependências. Vejam que o aeroporto de NOLA não precisaria sofrer nenhuma adaptação às minhas generosas ordens!
Então peguei o carrinho alugado e saí do aeroporto. Quando ligo o rádio, que é que me espera? "Amor não tem que se acabar..." (Escrever isso hoje é até um pouco irônico, mas pensem no contexto daquele dia) - especial de aniversário da Elis na melhor rádio que já ouvi. E o melhor: excetuando-se esse programa de música brasileira, não ouvi mais
nada que eu conhecesse. E adorei
tudo. Alegria de descobrir um universo estranho pela frente - a angústia da ignorância decididamente não me acomete quando se trata de música.

A obrigatória foto do Rio Mississipi. Aos que forem me visitar, um aviso: rio não é praia - ele faz curvas, e portanto não dá para se localizar na cidade com base apenas no famigerado "lado do rio". Sim, e dois mais dois são quatro e Pedro Álvares de Cabral descobriu o Brasil - vão rindo.
Alex Castro com cara de romancista a matutar sobre os destinos e desvarios de suas últimas criações literárias. Ao final do primeiro dia que passei com ele, eu já o conhecia há anos; depois de uma semana, éramos um casal de velhinhos cheios de manias morando juntos há meses.

Arvrinhas de monte, característica que está entre as top 3 coisas mais legais da cidade.

Me achando grande coisa em meu dodginho vermelho - nele, eu não usava espelho etc.

Pequena e aleatória amostra de casinhas fofas new-orleanianas.

Mercado e farmácia nos EUA são
experiências de abundância, lugares onde você descobre desejos e necessidades prementes que até então não sabia que tinha. Dos mercados, o Whole Foods - vai um cogumelinho aí? - é o mais impressionante, emocionante e perigoso: minha idéia inicial era comprar pão, cottage e presunto para o café da manhã. A concretização final da idéia deu no seguinte: creme de chocolate com hazelnut (nutella taken to the next level, basicamente), nachos, chutney pra comer com os nachos (não é que deu certo?), iogurte com limão (cheguei a sonhar com ele uma noite, acordei feliz da vida sabendo que ele estava quietinho na geladeira a me esperar), um Chardonnay californiano (prontamente entornado numa noite caseira em que não passei dos dez minutos iniciais de filme), uma sopa de milho de caxinha (que o Alex ainda precisa me contar como é não deu tempo de experimentar), um sabonete de camomila e presentinhos para o Rafa (já prontamente encaminhados para pessoas mais merecedoras). Além, é claro, de pão-trocentos-grãos, cottage e presunto (com mel). Por que será que bateu uma repentina vontade de café da manhã?

Primeira foto do campus de Tulane! Adoro as árvores com raízes no céu.

Sempre considerei Hogwarts o personagem mais interessante dos filmes do Harry Potter. E sempre acreditei que eu seria uma aluna muito mais motivada estudando lá (prédio de aulas bonito, caderno novo, lápis tinindo, borracha branquinha - tudo isso contribui deveras para o bom exercício da atividade intelectual). Pois agora cheguei bem perto de virar uma personagem infantil de sucesso: dêem só uma olhada nos prédios que compõem Tulane, lindos - e, se bobear, rola até um fantasminha à noite.

Esta entrou pra galeria só porque saí bonitona.

Esta também. (A vaidade adquire outro significado em tempos de tristeza.)
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Meus problemas com o atual Pat Metheny Trio
Chegou o momento de meu "opinionado" texto sobre o atual PM Trio - que ouvi pela sexta vez há exatos vinte dias - vir à luz.
Claro que gostei. É o Pat, pô - ele vai ter que se esforçar muito para voltar a gravar alguma coisa que eu claramente desaprove.
Mas gostar de um show do Pat, para mim, é muito esquisito. Gostar, eu gosto de sucrilhos, de Friends, de desfiles de moda. Tudo muito bom, muito bonito e bem feito - mas nada que provoque uma profunda imersão de meu corpo em outro universo. Sabe, eu sou eu e o sucrilhos é o sucrilhos - bacana, mas nossa relação parou ali. Com os discos e shows do Pat, nunca foi assim: estou acostumada a sentir meu corpo inteiro se transformando em música.
Não desta vez - e, a bem da verdade, também não da outra vez que vi este trio, em 2003. Só que, cinco anos atrás, tratava-se de uma banda ainda em processo de formação: o repertório ainda não estava bem definido, o Pat ainda estava aprendendo a compor para Christian e Antonio - e, principalmente, o Pat ainda estava lutando para aprender a tocar as músicas que ele próprio compunha. Existe um fascínio intrínseco à gestação e ao parto: minha emoção, naqueles dias, tinha mais a ver com isso do que com um prazer musical propriamente.
Hoje, a banda está grande, com RG, CPF e carteira de vacinação. Está redondinha; está no auge.
Ela cresceu - e fez um show-sucrilhos.
O que é bastante curioso, considerando-se que, no papel, esta banda teria tudo para me emocionar mais do que muitas outras bandas em que o Pat já tocou.
Este texto procura descrever o porquê de o sucrilhos ter prevalecido.
***
Quero primeiro dizer de onde parto: da convicção de que Christian e Antonio estão entre os melhores músicos de todas as bandas regulares do Pat. Certamente, muito melhores que Larry Grenadier e Bill Stewart.
No que ouço vozes se levantando e sinto um calor de tochas se erguendo, num clamor indignado: como assim, melhores? Melhores em que, por que, pra quem?
Sinceramente, não entendo por que as pessoas têm tantos pudores em usar termos comparativos (quantitativos, então, nem se fale) quando se trata de música. A esse pudor, costumo responder com o seguinte: se não posso afirmar que o baterista A é melhor que o baterista B, então você também não pode dizer que o Keith Jarrett é melhor pianista do que eu. Somos todos iguais - todos politicamente corretos - e todos, efetivamente, falsos. Hipocritamente falsos.
Melhor, para mim, significa o seguinte: que o músico dispõe de mais recursos. Rítmicos, harmônicos e melódicos; técnicos, dinâmicos e timbrísticos (os aspectos "físicos" - fluidez, volume e textura - do som contam demais aqui para estes ouvidos).
Conheço bem pouco dessas coisas todas. O pouco que conheço às vezes me permite apontar em quais aspectos determinado músico é especialmente hábil; freqüentemente, nem isso. No caso dos baixistas e bateristas do PM Trio, algumas qualidades objetivas parecem-me patentes. Ritmicamente, por exemplo, Chrsitian e Antonio transitam por áreas de cuja existência os demais músicos deste planeta nem desconfiam; além disso, o Antonio é dotado de um senso dinâmico que o permite tocar bossa nova e rock pesado com igual autoridade.
Muitos outros comentários desse tipo - e, aliás, mais bem desenvolvidos - poderiam ser traçados sobre cada um dos músicos do trio (não por mim, é claro; algum músico bem-articulado teria de fazê-lo). O mesmo se poderia fazer com a música em si, naturalmente - análises não só das composições como também de sua transposição para o mundo do ao vivo.
Não é isso, porém, o que me move e interessa especialmente - pelo menos, não neste texto.
Interessam-me a mágica e o mistério: a maluca realidade de que as habilidades do músico (espero que eu me tenha feito entender quanto a isso: por habilidade, não estou me referindo àquela de tocar Brasileirinho a duzentos por hora, de trás pra frente e com um pé amarrado nas costas) não garantem nada.
Não garantem a produção de uma música que, naquele espaço intermediário entre o objetivo e o subjetivo, possa me arrebatar.
É precisamente neste ponto que falar em melhor ou pior - aí sim, concordo com a opinião geral - perde completamente o sentido.
Porque talvez, objetivamente, a música deste Pat Metheny Trio seja superior à produzida por meu trio favorito, com Larry e Bill. Consigo até visualizar uma tese de doutorado que defenda este argumento*.
Mas, se considerarmos a área intermediária da experiência - aquela onde se dá a recepção da obra - o PM trio anterior faz alguma coisa que este atual não faz.
Aliás, a "coisa" talvez seja só isso: Pat Metheny, Larry Grenadier e Bill Stewart tocando Question & Answer - ou quase qualquer outra que eles tocavam - criam esta área intermediária da experiência em mim.
O trio atual, com todos os recursos de que dispõe, não.
***
O que se passa, então, que o trio atual não me diz quase nada, ou muito pouco?
Lembro-me da folclórica história do empreendimento que faliu por excesso de sucesso. Aconteceu mais ou menos assim: era uma vez uma loja no shopping que fazia tanto sucesso, que as pessoas faziam fila do lado de fora para poder entrar. Acontece que o contrato do aluguel previa o pagamento de toda e qualquer área utilizada pela loja em questão. Ou seja: quanto maior o sucesso, maior a fila; quanto maior a fila; maior o valor do aluguel. Resultado: a loja faliu.
A história pode até ter sido inventada, mas a metáfora é ótima. Para mim, o atual PM trio peca por excesso de criatividade. É muita coisa acontecendo, simultaneamente, o tempo todo.
A começar pelas composições. O Pat definitivamente não nasceu para escrever composições complicadas. Não dá - não gosto. Principalmente quando aquelas melodias extremamente up-tempo são dobradas com o baixo - e, on top of all that, pela bateria também. É muita informação, por demais condensada e compactada. Tipo a reportagem da Veja que se propõe a dar conta do problema do mal em suas dimensões filosófica, política, religiosa e psicológica. Obviamente, a Veja não faz nada disso, coitada - mas suponhamos, a título de comparação, que fizesse. Imaginemos uma reportagem que em oito páginas efetivamente resolvesse o problema (filosófico, religioso etc.) do mal. Pois é isso o que faz esta banda: em oito minutos, dá conta de tudo o que um trio de jazz pode fazer. Nada demais nisso - só que eu, sinceramente, prefiro me dedicar aos grandes problemas filosóficos da humanidade ao longo de oito volumes. E aos grandes atrativos da música em pelo menos 80 minutos.
Nesse trio, falta espaço. O show foi me causando uma progressiva sensação de sufocamento e um lânguido desejo de silêncio - desejo este que foi contemplado, paradoxalmente, nos solos de baixo e bateria. Por quê? Porque o Pat é o mestre dos espaços. Assim, quando o Christian solava, o Pat encaixava a notinha e o acorde perfeitos - aqui e ali, uma vez ou outra por chorus, nos momentos ideais. Sons que só faziam sublinhar o que o Christian estava criando. Um bom exemplo disso esteve num blues reminisciente de Soul Cowboy, que teve um solo de baixo extremamente bem construído, começando por um walking bass pra lá de tradicional que aos poucos foi se libertando de suas amarras rítmicas e se imiscuindo por melodias cada vez mais interessantes.
Fico imaginando como este mesmo solo teria soado se, em vez das notinhas esparsas, o Pat tivesse tocado quatro acordes por compasso.
Era mais ou menos isso o que acontecia toda vez que o Pat solava. Baixo e bateria praticamente solavam junto. E aí ficava difícil prestar atenção no Pat. Sorry, mas meu cérebro precisa de espaço para pensar, para processar. Coisa que Christian e Antonio não me proporcionavam de jeito nenhum.
O melhor exemplo disso esteve em The Bat, balada antiga recentemente regravada no Trio Live. Na versão de vinte dias atrás, meu desejo sincero era de colocar o rosto do Antonio entre as duas mãos e dizer: "Guapo, escolha UM prato dentre os cinqüenta que você tem e mantenha-se nele até o final, por favor!". Que saudade do Paul Motian - que saudade de uma condução simplesinha, sem outros cinqüenta pratos acontecendo ao mesmo tempo.
(Vejam bem: quando os cinqüenta pratos aconteciam nos solos do Antonio, era lindo - porque era só ele, ele e a música. A grande graça desses solos, para mim, é ficar sacando a relação do que ele está fazendo com a composição original. E ele sempre acrescenta à minha percepção da música - sempre. Já estou com saudade de ouvir esses solos se formando em tempo real.)
Em When We Were Free, a Question & Answer da vez (exatamente o mesmo arranjo, só muda a música), o mesmo problema: faltou groove - alguma bóinha que eu pudesse agarrar em meio à tempestade no oceano. (Se bem que sou obrigada a admitir: bem no finzinho dela, a geléia geral fez todo o sentido para mim. Raríssimo momento.)
Acabou que as únicas três coisas que adorei mesmo, com todo o meu corpo, foram as seguintes...
Os violões do começo do show. Eu não sei como é que eles conseguem fabricar aquele timbre. Das músicas em si, nem lembro: o som é tão inebriante que as deixa em segundo plano.
A balada para New Orleans - violão lindinho e finalmente um steady beat no terceiro tempo.
E, disparado o melhor momento musical da viagem inteira - Lone Jack. O Antonio nasceu para tocar essa música - um samba que não é bem samba, mas que também não é bem jazz. E o Christian tocando bem suingado e bem normalzinho foi fantástico. Ninguém atropelou ninguém e todos saíram vivos e felizes no final.
Principalmente eu, que finalmente pude viver um fenômeno transicional...
*Merleau-Ponty à parte, é possível analisar um objeto à distância - desde que se saiba que esta distância parte de um ponto determinado. Coloquei o Merlô na roda só para que saibam que não tenho uma visão muito ingênua da objetividade; sei da impossibilidade do sobrevôo, da impossibilidade de fugir do próprio ponto de vista. Mas sei também da riqueza intrínseca a esse exercício de distanciamento do objeto.
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Fotos NY: Despedida (21/03)

Saí gata nessa.

Nessa também.

Minutos antes de entrarmos no gelo.

Outra que vai direto pro porta-retrato.

No Wollman Rink (não, ela não é nossa amiga).

De novo aquela avenidona querida, agora iluminada pelo sol e pela Bel. O pacotinho de nuts não me deixa mentir: um lanche só no Burger Joint é muito pouco.

Vista do Belvedere Castle.

De novo aquela carinha da Bel que lu e eu adoramos.

No restaurante das zebrinhas. Pedi um macarrão com frutos do mar - como é que eu podia ir embora sem ter comido uma lulinha sequer? Mal sabia eu dos camarões que me aguardavam em Nola.

Uma das fotos mais bonitas que já tirei.

The Botters acharam esta foto meio demoníaca, como que saída de um filme de horror (talvez pela luz vermelha). Alguém concorda? Ela foi tirada antes do último show, o mais lindo da viagem toda, que me borrou a cara inteira de rímel.
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Fotos NY: Parque-compras-música, pra variar (20/03)

Véinha descansando enquanto as amigas atletas estavam prontas para ir a pé ao Bronx e depois descer até a Estátua da Liberdade - tudo isso em quarenta minutos. Atenção para a bolsa nova que veio a público neste dia.

A preguiça de levantar rendeu esta foto.

Bel radicalizando e Lu com cara de é-isso-mesmo-que-você-quer-pra-sua-vida?

Bilhetinho da Lulu para evitar uma síncope nervosa na véinha.
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