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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Mais um texto-mulherzinha

Ou quase. Domingo, no intervalo do Acústico MTV Paulinho da Viola, descubro que o autor da resposta mais criativa à perguntaPor que eu mereço ir para a maior premiação da música européia?” ganha um convite para a dita premiação no dito continente. Decido, então, colocar todo o meu talento literário a serviço deste nobre fim, redigindo uma resposta mezzo literária mezzo baseada em fatos reais que, pelo menos aos meus olhos (ou cabelos), justifica plenamente meu direito de acesso ao evento. Fora que a própria pergunta é tão ridiculamente pretensiosa que ela praticamente implora por uma resposta à altura. E, se os produtores da mê-tê-vê não se convencerem, sempre contarei com vocês, meus 51 leitores deste blog, habitantes de São Paulo e Sevilla, Oneonta e Évora (dêem uma olhada embaixo para constatar que Oneonta é a minha Quixeramobim).

Mas vamos ao texto. Por que, afinal, mereço ir para a maior premiação da música européia?

***

Nada mais injusto que a expressão "ninguém merece". Porque, certas coisas, algumas pessoas merecem, sim. Como esta: eu mereço ir para a maior premiação da música européia porque, até ontem, eu achava que a maior premiação da música européia eram os Gramophone Awards – e tal percepção distorcida da realidade traz conseqüências funestas para a vida de uma pessoa.

Tais desvios perceptivos tiveram início em minha infância: fiquei órfã. Órfã dos Menudos. A pior orfandade é aquela em que a paternidade nem chegou a se constituir. Precisamente o meu caso. Enquanto as demais meninas elaboravam suas angústias edipianas com o cabeludo de sua predileção, eu ouvia Mozart. Mozart também era cabeludo, mas de um cabelo diferente: seus cachos eram brancos e finos, estranhamente atraentes. E Mozart eu ouvia, e não sei bem se apesar dos cachos ou por causa deles, por ele me apaixonei.

Por causa de Mozart, fui à Europa; à Alemanha, especificamente, refazendo seus passos por Leipzig, Dresden e Berlim.

Foi assim que conheci Matoso. Violinista talentoso, seus cabelos claros reluziam contra a madeira escura do instrumento. Reluziam e balançavam, e por esse balanço meus cabelos deixaram-se levar... Até que um dia Mozoso disse que não podia mais.

Lustroso era ele, caspenta eu era, e tão denso era o sebo que kèrastase não bastou. Precisei de algo mais radical: um corte.

Hoje, meus cabelos são outros: curtos e saudáveis. Porém, são sós; precisam dos cabelos certinhos e curtinhos do pop, dos cabelos-pela-cintura do rock ou dos cabelos inexistentes do hip-hop.

E é preciso que isso se no cenário onde tudo aconteceu. Na Europa. Na Alemanha. Por cima do túmulo de Mozoso.

Depende da MTV a correção de um desvio em meu desenvolvimento áudio-psico-sexual. Meus cabelos afirmam em sintonia com minha boca: eu mereço!

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